Mostrando postagens com marcador organizacao politica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador organizacao politica. Mostrar todas as postagens

domingo, 18 de abril de 2021

COMUNICADO FRT * FRT/PCPB

 COMUNICADO FRT

 aos seus círculos, simpatizantes e companheiros de luta. 

 A Frente Revolucionária dos Trabalhadores e o Partido Comunista do Povo Brasileiro se fundem: 
passos certeiros no caminho de construção da vanguarda da revolução brasileira:

 “Caminhamos num pequeno grupo unido por uma pequena estrada escarpada e difícil, segurando-nos fortemente pela mão. Estamos cercados de inimigos por todos os lados, e, quase sempre, é preciso caminhar sob fogo cruzado. Estamos unidos por uma decisão tomada livremente, justamente para lutar contra o inimigo e não cair no pântano ao lado, cujo habitantes nos acusam, desde o início, de termos formado um grupo à parte, preferindo o caminho da luta ao da conciliação...” ( Vladimir Lenin) 

 É com imensa alegria e satisfação, que a Frente Revolucionária dos Trabalhadores (FRT) comunica a seus círculos, simpatizantes e companheiros de lutas, a importante fusão com o Partido Comunista do Povo Brasileiro (PCPB). 

 As propostas de aproximação e fusão das organizações, tem sido construídas já há algum tempo e se dá, sobretudo, pelo entrosamento de propostas e perspectivas de ambos os agrupamentos, que vão no sentido de darmos passos concretos para superarmos a grave fragmentação e divisão sectária reinante no seio das diversas correntes que reivindicam o marxismo em nosso país. 

 As duas organizações, desde suas respectivas fundações tiveram como norte, agrupar em torno de um programa revolucionário da sociedade brasileira, os melhores elementos da vanguarda comunista, comprometidos com a luta proletária e popular, rompendo com o infantilismo ultra-esquerdista sectário por um lado, porém sem acalentar por outro as mínimas ilusões eleitoreiras oportunistas, muito comum aos que capitularam ao cretinismo parlamentar. Como afirmamos em um de nossos Manifestos : “Visando colaborar no sentido de darmos os primeiros passos para a superação deste problema, propomos uma organização que aglutine o que pode haver de melhor entre os operários revolucionários, superando posições sectárias que se formam em critérios baseadas nas determinadas “escolas” marxistas: as diversas “escolas”, “trotskystas”, “stalinistas”, “maoístas”, “gramiscianos”, “lukacsianos”, etc., subdivisões que somente contribuiu para fragmentar o movimento comunista internacional. Ao nosso ver, nossa organização deve agrupar todos os revolucionários que aceitam o programa marxista da revolução brasileira e latino-americana; socialista, antiimperialista e que cumpram decisivamente os critérios estabelecidos internamente para um militante[...]”.

 A atual quadra histórica, marcada pelo acirramento da crise estrutural do capital e o auge de uma verdadeira guerra da burguesia contra os trabalhadores em todo o mundo, tendo o Brasil como o epicentro internacional da contra-revolução, torna imperioso o fortalecimento de um polo revolucionário comunista, homogêneo, que atue como um verdadeiro Estado Maior do proletariado revolucionário na sua luta de vida ou morte contra o capital. Portanto, superar o atual quadro de indigência orgânica em que se encontra a esquerda revolucionária no país, que impede de fato, um protagonismo político da classe operária no atual cenário dramático em que vivemos, é tarefa das mais importantes. 

 O governo genocida de Bolsonaro, ancorado nos militares entreguistas e representante direto dos interesses dos exploradores do povo trabalhador, somente se mantém, apesar da sua crise profunda e inabilidade política marcante, devido ao fato de que seu antagonista radical, ou seja, o proletariado, encontrar-se desorientado politicamente e desorganizado, órfão como classe, de uma vanguarda revolucionária profundamente enraizada no seio das massas populares, municiado com um autêntico programa de transformação revolucionária da sociedade. 

 Dessa forma, saudamos com muito entusiasmo esse importante passo dado no fortalecimento de um polo revolucionário, ponto de apoio e certamente um precursor do autêntico Partido Comunista da revolução brasileira. 

 Vida longa ao Partido Comunista do Povo Brasileiro 
 (PCPB)!
 *&*

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Propostas de Organização * FNMT - BR


Propostas da Organização
Documento pela construção da revolução brasileira,
 primeiro passo para a revolução latino-americana e mundial.

Apresentamos aos camaradas, as seguintes propostas para avançarmos no projeto da criação de uma organização revolucionária internacionalista, tendo como finalidade ser um embrião e ponto de apoio para a formação de um autêntico partido comunista brasileiro, baseado no método do centralismo democrático; amparado num programa revolucionário dos trabalhadores brasileiros e latino-americanos; rechaçando o oportunismo, o cretinismo eleitoreiro e parlamentar, bem como a conciliação de classes; nossa proposta se ancora no melhor da tradição e do legado do marxismo revolucionário, adaptado à nossa realidade como verdadeira bussola  e ciência proletária. Desde já, propomos uma organização que se oriente pelo signo do marxismo leninista e que, neste sentido, declare guerra intransigente, sem quartel à burguesia e seus lacaios, de direita e de “esquerda”. Nosso norte só pode ser a revolução socialista; a destruição violenta do modo de produção capitalista; a ditadura do proletariado e o comunismo.
Abaixo apresentamos algumas propostas de caráter organizacional aos companheiros, ciente de nossas condições e limitações do momento. O documento que segue aos camaradas possui puramente um caráter de esboço, devendo ser criticado e acrescentado coletivamente:
1-Nome da Organização:
A vanguarda revolucionária do proletariado se encontra na atual quadra histórica, afetada gravemente por uma profunda fragmentação, divisões e subdivisões em seu seio: depois de quase 200 anos do Manifesto Comunista e mais 100 da Revolução de Outubro, nos encontramos diante de uma indigência orgânica e fragmentados em pequenas Ligas. Os fenômenos do centrismo e do sectarismo, agrava sobremaneira esse quadro, afetando em cheio as possibilidades dos revolucionários em se enraizarem profundamente na classe e ganhar sua confiança, necessidade das mais importantes para uma vanguarda revolucionária: apartado da classe e do conjunto das massas operárias não pode haver saída.
Visando colaborar no sentido de darmos os primeiros passos para a superação deste problema, propomos uma organização que aglutine o que pode haver de melhor entre os operários revolucionários, superando posições sectárias que se formam em critérios baseadas nas determinadas “escolas” marxistas: as diversas “escolas”, “trotskystas”, “stalinistas”, “maoístas”, “gramiscianos”, “lukacsianos”, etc., subdivisões que somente contribuiu para fragmentar o movimento comunista internacional.
Ao nosso ver, nossa organização deve agrupar todos os revolucionários que aceitam o programa marxista da revolução brasileira e latino-americana; socialista, antiimperialista e que cumpram decisivamente os critérios estabelecidos internamente para um militante. Dessa forma propomos como título de nossa organização: Frente Revolucionária dos trabalhadores-Internacional;
Composição
Uma organização revolucionária séria, precisa antes de tudo contar com revolucionários profissionais, preparados para a arte da guerra contra a burguesia e seu Estado. Dessa forma, uma organização que se propõe a combater e conspirar contra o Estado burguês necessita antes de tudo, ser um verdadeiro Estado maior de nossa classe, sabendo sempre e sem vacilar, que lutamos contra inimigos poderosos.
Com plena consciência de nossas condições, propomos a formação dos seguintes organismo internos:
a.   Comitê de Organização:
Responsável pela elaboração teórica, programática e ideológica da organização;
b.               Comitê Estratégico:
Direção prática e direta da organização. Responsável pela elaboração das atividades, pelas questões de segurança e tática;
c.                Comitê Editorial:
Dirige a imprensa da organização, como o blog, boletim-jornal, canal do You Tube, etc. Este Comitê deve ser composto por um ou dois camaradas que integram os Comitês de Organização e Estratégico, e deve ser responsável pelas pautas de nossa imprensa;
d.               Escola de quadros:
O crescimento teórico e programático de cada militante, é condição necessária para o desenvolvimento de toda a organização. Neste sentido, propomos a criação de um núcleo de formação de quadros, longe de “eslcolasticismo” ou pedantismo, mas autenticamente comunista e revolucionário;
e.               Grupo de Base:
É composto por camaradas que se aproximarem da organização no dia a dia. Nosso grupo da FNMT no whatsapp deve ser mantido e pode estar recrutando e\ou aproximando estes contatos. Lembrando que os camaradas dirigentes devem estabelecer respeitosamente e de forma indireta a linha política em tal grupo, respeitando é lógico, a democracia operária neste fórum.

Documentos Internos
Propomos a elaboração nos próximos dias, dos documentos de regulamentação da organização, bem como do programa, teses da revolução brasileira, finanças, etc.
Além disso, devemos discutir acerca do título do boletim e da possibilidade de criarmos um canal no You Tube.
No sentido de avançarmos no caminho da construção de um polo revolucionário, segue tal esboço para o debate e as críticas dos demais camaradas. Saudações revolucionárias!
Roberto Bergoci - SP
******************

domingo, 26 de abril de 2020

101 ANOS DE FUNDAÇÃO DA 3ª INTERNACIONAL * Roberto Bergoci - SP

101 ANOS DE FUNDAÇÃO DA 3ª INTERNACIONAL



No dia 24 de janeiro de 1919, o Comitê Central do Partido Comunista Russo (novo nome do Partido Bolchevique), junto das direções dos partidos comunistas de diversos países que estavam na Rússia Soviética, como Partido Socialista Operário norte- americano, Partido Comunista húngaro, polonês, alemão, letão, austríaco, finlandês e mais a Federação Socialista Balcânica, lançam um impactante chamado ao primeiro congresso da nova internacional revolucionária dos trabalhadores. Estava nascendo a III Internacional, ou Internacional Comunista. O chamado lançado pelos partidos comunistas, explicita a necessidade imperiosa de uma nova internacional, que correspondesse à nova etapa que adentrava a sociedade burguesa, marcada profundamente pela formação e acirramento dos monopólios e dos cartéis de grandes grupos capitalistas. Essa etapa da sociedade burguesa foi caracterizada de forma clássica por Vladimir I. Lenin, no livro Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, de 1917.
Após a completa degeneração da II Internacional e dos partidos socialdemocratas reformistas que a compunham, sobretudo o partido socialdemocrata alemão de Karl Kaustsky, que havia apoiado a Primeira Guerra Mundial imperialista, os revolucionários internacionalistas fortemente influenciados pela revolução russa de 1917, dirigida por Lenin e Trotsky, percebem a importância da criação de uma nova internacional, que combateria mundialmente o capitalismo de forma orgânica e centralizada.
Segundo o chamado de fundação da III Internacional:
“Os partidos e organizações abaixo-assinados consideram como uma necessidade imperiosa a reunião do primeiro congresso da nova Internacional revolucionária. Durante a guerra e a revolução, não somente se manifestou a completa bancarrota dos velhos partidos socialistas e socialdemocratas e com estes a da II Internacional, como também a incapacidade dos elementos centristas da velha socialdemocracia na ação revolucionária. Ao mesmo tempo se distinguem os contornos de uma verdadeira Internacional revolucionária”.
Os doze pontos elaborados pela direção da Internacional, descrevem as táticas e condutas dos partidos socialistas e comunistas que a integravam. No chamado, fica patente a necessidade da derrubada do capitalismo, que adentrava numa época de crises agudas e decomposição e que a tarefa do proletariado revolucionário era a tomada do poder pelos trabalhadores contra a burguesia decadente internacionalmente.
O 1.º Congresso da nova Internacional, se reuniu na Rússia soviética, entre os dias 2 e 6 de março de 1919 e se deu em meio à Guerra Civil que o imperialismo levava adiante contra a pátria revolucionária. No discurso de abertura do Congresso, Lenin afirmava: Por mandato do Comitê Central do Partido Comunista Russo, declaro aberto o primeiro congresso da Internacional. Antes de mais nada, lhes peço que nos levantemos para honrar a memória dos melhores representantes da III Internacional: Karl Liebcknecht e Rosa Luxemburgo”. Esses dois gigantes do proletariado haviam sido assassinados recentemente pela socialdemocracia alemã. Os bolcheviques, sobretudo Lenin e Trotsky, sabiam muito bem que sem a expansão da revolução proletária pelos principais países da Europa, a revolução poderia ser estrangulada pelas forças do capital imperialista, pois a Rússia soviética continuaria isolada em meio ao mar capitalista.
Segundo retrospecto de Lenin no 3.º Congresso da Internacional: “Compreendíamos perfeitamente que a vitória da revolução era impossível [em nosso país] sem o apoio da revolução internacional e mundial. Tanto antes como depois da revolução, pensávamos: ou a revolução acontece, se não imediatamente, pelo menos muito em breve nos outros países mais desenvolvidos do ponto de vista capitalista, ou então estaremos condenados a perecer”.
Dessa forma, como bem disse Zinoviev: “Desde seu nascimento a III Internacional liga seu destino ao da Revolução Russa”.
Diferente da I Internacional de Marx e Engels, que possuía um caráter de frente única entre diversas tendências do movimento operário, como comunistas, socialistas, anarquistas, sindicalistas,  etc., e da II Segunda Internacional, que era uma espécie de federação de partidos socialdemocratas e socialistas, a Terceira funcionava de acordo com os critérios do centralismo democrático, defendido por Lenin em sua concepção de partido operário. Ou seja, baseado na experiência da Revolução de Outubro de 1917 e na nova etapa da mundialização do capital imperialista, a III Internacional foi formada como um partido mundial da revolução socialista, um agente e guia internacional da derrubada do capitalismo.
Os primeiros quatro congressos da Internacional Comunista significaram um profundo avanço programático para a luta dos trabalhadores. Nestes estão inseridos a luta contra o oportunismo, o sectarismo, o ultra esquerdismo, a Frente Única, além de importantes resoluções quanto à questão da mulher, dos negros, da luta dos povos semicoloniais e coloniais, mas também do trabalho dos comunistas nos sindicatos e nas fábricas.
Na resolução sobre a tática, por exemplo, votada no Terceiro Congresso em junho de 1921, se percebe uma atualidade irretocável: “(...) é necessário tomar cada necessidade das massas como ponto de partida da luta revolucionária, que em seu conjunto poderá constituir a corrente poderosa da revolução social. Porém, para realizar essa tarefa, os partidos comunistas devem propor as reivindicações cuja realização constituem uma necessidade imediata e urgente para a classe operária e devem defender essas reivindicações nas lutas de massas, sem se importar em saber se são compatíveis ou não à exploração agiota da classe capitalista”.

A degeneração stalinista
O período do Termidor soviético, conforme definido por Leon Trotsky no capítulo V do livro A Revolução de Traída de 1936, como “a vitória da burocracia sobre as massas”, foi cruel para a sobrevivência da Internacional Comunista. O agravamento das condições de saúde de Lenin, o isolamento do Estado operário sabotado economicamente pelo mundo capitalista, os estragos causados pela Guerra Civil, o abatimento das massas, entre outros fatores, favoreceu o avanço da burocratização do Estado operário soviético, do Partido Comunista Russo, mas também e, fundamentalmente, da Internacional.
A política reacionária do “socialismo em um só país”, que expressava o conservadorismo da casta burocrática encabeçada por Stalin, dominou a política da Internacional Comunista desde a morte de Lenin. Em 1927, a política de colaboração de classes levada adiante pela burocracia, levou à derrota da revolução chinesa: Stalin e toda a direção da Internacional burocratizada submeteu o partido comunista chinês ao nacionalismo burguês do Kuomitang, dirigido por Chiang Kai-Shek, que em seguida promoveu um massacre contra os revolucionários.
Nessa época, a burocracia rompendo com a da Frente Única, votada no IV Congresso da Internacional, passou a defender as Frentes Populares, que amarravam o proletariado às burguesias ditas “progressistas”, levando à diversas derrotas dos trabalhadores. Em seguida, nos anos de 1930, dando um giro qualitativo, a direção termidoriana entra no seu “terceiro período”, caracterizado por um ultra esquerdismo extremado, não menos nocivo que seu apoio às Frentes Populares.
Igualando a socialdemocracia ao fascismo, a “teoria” stalinista do “social-fascismo” se negava, mesmo na iminência do perigo nazista, em articular a frente única do Partido Comunista alemão com os trabalhadores socialdemocratas, facilitando dessa forma a subida de Hitler ao poder e abrindo anda mais o caminho para a Segunda Guerra Mundial, levando Trotsky a declarar morta a Internacional Comunista e a criar a IV Internacional, baseada nos quatro primeiros congressos da Terceira.
Após a Segunda Guerra Mundial Stalin, levando adiante a política de coexistência pacifica com o imperialismo, dissolveu oficialmente a III Internacional, mostrando à burguesia mundial sua disposição em ser um freio contra a revolução proletária e um dos sustentáculos da ordem burguesa.
Apesar da burocratização e traição stalinista, a III Internacional além de extremamente atual e necessária, ficará para sempre como um exemplo de combate e da necessidade da luta internacional intransigente do proletariado revolucionário contra a burguesia e o imperialismo, um verdadeiro legado de nossos heroicos camaradas que a fundaram, sobretudo os bolcheviques dirigidos por Lenin e Trotsky. Neste sentido, reivindicamos seus quatro primeiros congressos como patrimônio da classe trabalhadora mundial!

A necessidade do combate internacional contra o capitalismo
O internacionalismo proletário, ou seja, a união internacional dos trabalhadores para a sua luta política contra o capital, constitui-se num dos princípios fundamentais do socialismo cientifico. Surge mesmo, do caráter cada vez mais internacionalizado da economia capitalista e das suas forças produtivas, muito diferente da sociedade feudal ou agrária pré-capitalista, que mantinha uma estrutura fragmentada baseada em pequenos Estados, além de relações sociais e políticas estreitas, que impediam de fato o desenvolvimento das forças produtivas.
De acordo com Marx e Engels:
“Impelida pelas necessidades de mercados sempre novos, a burguesia invade todo o globo terrestre. Necessita estabelecer-se em toda parte, explorar em toda parte, criar vínculos em toda parte.” (Manifesto Comunista de 1848). Dessa forma, se o regime capitalista tende para a mundialização de suas relações de produção e se o capital desloca geograficamente e constantemente suas contradições, a luta dos trabalhadores possui em essência um caráter internacional contra a burguesia.
Podemos observar este fato empiricamente nos dias atuais, na chamada “globalização neoliberal”. Na atual fase do capitalismo, marcada pela completa desregulamentação da circulação de capitais por parte dos Estados burgueses modernos, as grandes empresas multinacionais têm deslocado constante e permanentemente seus empreendimentos pelo globo, em busca de baixos salários, condições degradantes de labor, benefícios fiscais por parte dos Estados nacionais e etc., que na prática e em última instância barateiam os custos de produção e incrementam as condições de concorrência por parte dos grandes monopólios. Mas do outro lado da moeda, põem os operários na defensiva, acirram a concorrência entre os proletários de diversos países e precarizam e degradam as condições mais básicas de sobrevivência dos trabalhadores, sobretudo nos países dependentes e semicoloniais da Ásia, África e América Latina.
Um acontecimento histórico atual, que deixa bem claro o fato de que, no capitalismo, as lutas de classes, assim como as relações de produção burguesas e as forças produtivas, ultrapassam seus limites nacionais, mesmo no terceiro mundo onde ocorrem lutas nacionalistas e anti-imperialistas.  Na Venezuela, por exemplo, é possível observar de forma clara e objetiva, como as forças do capitalismo internacional atuam em conjunto para levar adiante seus interesses de pilhagem colonial entre as diversas facções da burguesia imperialista. Se não for socorrida pelo proletariado internacional, em primeiro lugar da América Latina, as massas venezuelanas terão sérias dificuldades em resistir ao criminoso assédio imperialista, articulado internacionalmente. O exemplo venezuelano possui todo um valor pedagógico para os trabalhadores: a burguesia, apesar de suas contradições, sempre que necessário e quando se trata de defender seus interesses de classe atua para si em nível internacional contra os trabalhadores e estes só podem responder de forma efetiva também na arena da luta de classes internacional.
Essa rotatividade internacional do capital está diretamente conectada à fase imperialista da economia mundial burguesa, onde predomina a exportação de capital em detrimento à de mercadorias. Como nos diz Lenin: “O que caracteriza o antigo capitalismo, onde reinava a livre concorrência, era a exportação de mercadorias. O que caracteriza o capitalismo atual, onde reinam os monopólios, é a exportação de capitais.” (Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo).
Assim sendo, a burguesia, apesar das profundas contradições em seu interior, utiliza como escudo contra a luta nacional dos trabalhadores, a internacionalização das forças produtivas e o deslocamento de suas contradições no interior dos Estados nacionais para a arena da economia mundial. Dessa forma, a luta dos trabalhadores para ter êxito contra o capital necessita ser internacional. Como diz o filósofo trotskista George Novack, citado no livro de Alicia Sagra, História das Internacionais Socialistas, editora Sunderman, de 2005:
“O internacionalismo não é um dogma, nem um sonho, nem uma ideia sentimental, impossível de realizar. Para os materialistas, o internacionalismo é o reconhecimento e a compreensão da realidade e das necessidades da civilização contemporânea. Estas bases materiais sociais da economia mundial constituem os verdadeiros fundamentos do internacionalismo marxista.”.
A atual e profunda crise orgânica pelo qual passa a sociedade burguesa em todo o mundo exige uma resposta também mundializada dos trabalhadores. O grande capital imperialista tem implementado, na prática, uma ofensiva histórica contra o proletariado em todos os países. Em nível mundial, a burguesia tem estabelecido um novo padrão de acumulação, baseado num rebaixamento internacional acentuado do padrão de vida das massas e na espoliação selvagem de sua existência. A lógica disso é que, o capital tem conseguido nivelar relativamente e por baixo, a taxa de exploração internacional dos trabalhadores.
Este processo contrarrevolucionário se acentuou sobremaneira, com a restauração capitalista na União Soviética e na China, resultando numa ofensiva brutal tanto econômica e política, como ideológica, contra o operariado de todos os países.
No entanto, todos os mecanismos de contenção da resistência operária, estão absolutamente comprometidos devido ao aprofundamento irreversível da crise global e universalizante, que atinge o regime burguês em seu conjunto. O regime de acumulação neoliberal colocado em marcha após a derrocada das políticas econômicas keynesianas, está falido e esgotado, sendo vetor de profundas e constantes instabilidades no coração da ordem burguesa.
Com a completa mundialização das forças produtivas do capital, esgota-se assim suas possibilidades de expansão, restando ao capital lançar mão de suas forças destrutivas contra a própria humanidade. Mas por outro lado, as condições materiais para a emancipação dos trabalhadores e do conjunto da humanidade estão dadas.
Se os trabalhadores vivem uma crise de direção revolucionária, devemos afirmar com base na realidade objetiva que a burguesia vive crise pior. Toda a superestrutura da sociedade burguesa está contaminada pela profunda crise orgânica do regime capitalista, diminuindo decisivamente as condições das classes dirigentes deslocarem suas contradições profundas e insolúveis, como lançavam mão num passado distante.
O proletariado tem a vantagem de se encontrar do lado certo da maré histórica. Como toda a história tem mostrado, os períodos que antecederam os grandes embates das lutas de classes, foram precedidos por épocas contrarrevolucionárias. Depois do desgaste dos principais mecanismos de contenção burgueses, o próximo período será o do ascenso operário, que necessita urgentemente superar a crise de direção.
Batalhar pela criação dos partidos revolucionários em cada país é tarefa de suma importância para o proletariado em seu embate de vida ou morte contra a burguesia no terreno nacional, mas não basta: a atual época histórica cobra mais do que em qualquer outro período, a criação do partido mundial da revolução, arma decisiva para o proletariado em sua luta pela derrubada do capitalismo internacionalmente. Como o grande revolucionário russo Leon Trotsky nos ensinou em suas teses publicadas no Epílogo da edição de Sunderman de 2012, de A Revolução Permanente (de 1930):
“A revolução socialista não pode ser concluída nos marcos nacionais. Uma das principais causas da crise da sociedade burguesa reside no fato de que as forças produtivas por ela engendradas tendem a ultrapassar os limites do Estado nacional. Daí as guerras imperialistas de um lado, e a utopia dos estados Unidos burgueses da Europa do outro. A revolução socialista começa no terreno nacional, desenvolve-se na arena internacional e termina na arena mundial. Por isso mesmo, a revolução socialista se converte em revolução permanente, no sentido novo e mais amplo do termo: só termina com o triunfo definitivo da nova sociedade em todo o nosso planeta.”.
Diante da enfermidade de morte que atinge cronicamente a sociedade burguesa senil, que nada tem mais a oferecer à humanidade, a não ser desemprego, fome, guerras e destruição, se faz cada vez mais atual o chamado dos dois gigantes do proletariado internacional Marx e Engels, no Manifesto Comunista: “ Trabalhadores de todos os países, uni-vos!”. 

ROBERTO BERGOCI - SP
texto publicado originalmente no jornal
GAZETA REVOLUCIONÁRIA
100 anos da fundação da III Internacional: a atualidade do partido mundial da revolução para barrar o caminho da barbárie imperialista!
...............................